terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Yule Sabbath



É o segundo festival da Roda do Ano, que se inicia em Samhain. É regido pelo nascimento, ou renascimento após a morte em Samhain, e por isso suas honras se dão aos Deuses que representam o nascimento, tanto como filhos quanto como Mães.

Vou colocar um pequeno texto a respeito desse festival e de algumas divindades de sua regência retirado de um roteiro para a comemoração de um festival de Yule que eu executarei nesse ano de 2011; mas deixo a promessa de postar mais e inclusive dicas de como comemorá-lo. Lembro também que esse festival pode ser muito correlato com o Natal cristão...



Yule ou Jule: Comemorado em 22 de dezembro (comemorações iniciadas na noite de 21 de dezembro), no solstício de inverno (hemisfério norte). Representa o nascimento de Cernunnos. É o momento de ser altruísta, e por isso, é normal dedicar-se a festa aos outros e a troca de presentes (como uma forma de se doar a outrem). Desse modo, ao entender os mistérios do Nascimento se entende os desígnios de Yule. 

A maternidade é cercada de mistérios e obstinações, a Mãe é uma face plena e sorridente, esperançosa, mesmo no pior dos momentos, pois para ela tudo é possível, tudo é realizável, nada pode deter aquele que almeja. Por isso, mais do que um festival de doações e caridades, é também um festival de fixidez, ou seja, a morte se instaurou em Samhain, adentramos em nosso mais íntimo ser, e agora renascemos. Assim sendo, é essencial buscarmos um norte, um ponto fixo, uma conquista a ser almejada, superando e aprendendo com nossas dificuldades, amando com intensidade e vivendo. O que passou, passou, o passado ficou, Samhain trouxe novo giro à Roda e é em Yule que isso se fixa, é quando as mudanças idealizadas em Samhain, quando nossa voz mais íntima deve ser expressada, não em palavras, mas por atos; conquistando o espaço que precisaremos para garantir nosso sucesso no decorrer desse ano. Por isso, muitos povos, como os nórdicos, só comemoravam seu Ano Novo nessa data: a mudança agora é real, o renascimento é certo, e aquilo que conquistamos em nós mesmos na passagem de Samhain conduzirá o ano! Para além disso, é essencial saber que não se sai do lugar sem ajuda, não se aprende a erguer-se sem exemplo, não nos bastamos. Aprendemos, ensinamos, ajudamos e somos ajudados sempre: é essa a lição de Yule, considerado o festival do renascimento, do primeiro suspiro de vida, do recomeço, da fixidez e do perdão. 

A mitologia nos conta o nascimento de Cernunnos (celta). Cabe, nesse caso, esclarecer que a divindade é muito provavelmente muito mais antiga do que os celtas, e herdaram em si uma mitologia profunda e ampla. Dessa forma as mitologias que cercam Cernunnos são muitas e se confundem, misturam e recriam a cada momento, uma vez que ele também a base principal da concepção do “Deus” adotado pela Wicca. 

Falando da mitologia celta, as lendas contam quem Cernunnos nasceu diferente dos demais, era um Deus híbrido de humano, flora e fauna. Na vida adulta Cernunnos se casou posteriormente com a formosa Deusa da fertilidade e da maternidade Epona. Mas, em decorrer de suas tarefas, Cernunnos devia passar um tempo no submundo (morte) para regressar depois, nesse tempo, ele deixava sua esposa sozinha na Terra, e foi quando, pela primeira vez, ela o traiu com Esus / Albiorix, o Rei do Mundo; foi então que, segundo as lendas a galhada nasceu em Cernunnos, marcada e crescendo a cada traição de sua amada. Mas quando ele retornava ao mundo dos vivos, ela lhe voltava a ser fiel, e com isso, sua galhada caía. Essa passagem se refere principalmente ao ciclo dos Cervos, animal totêmico de Cernunnos, cuja galhada cai após o período de reprodução e torna a crescer quando esse período se aproxima, pois é usada na disputa pela fêmea apenas. 

Desse modo, é Cernunnos o Deus que rege o ciclo da vida mortal: nascer, morrer e renascer, é Ele que anuncia a esperança e a fertilidade que chegará após o inverno (hemisfério norte). No dia 22 de dezembro, solstício de inverno no hemisfério norte, portanto, é comemorado seu dia, seu Festival, mais do que sua história, simboliza seu nascimento como ser de música, alegria, fertilidade e amor que é e se renascimento como zelador e Senhor da vida na terra. 

Outro mito presente nessa época e, muito comumente celebrado na bruxaria celta, é a entrega do Cajado (símbolo de governo) do Rei Carvalho (Rei Velho, Rei Vermelho) para o Rei Azevinho (Rei Novo, Rei Azul). O Rei Carvalho rege a Terra durante a chamada parte clara do ano, que vai de Litha até Yule; é a parte da colheita, dos frutos e recompensas, da generosidade e sabedoria presentes no Carvalho (árvore símbolo do druidismo, de onde deriva inclusive o nome Druida no antigo gaélico). O Rei Azevinho rege a Terra durante a parte escura do ano, que vai de Yule até Litha; é o momento do arado, do plantio, do trabalho e da persistência presentes no Azevinho, em sua estrutura, em sua imponência, mesmo sobre o inverno. Entretanto, essa passagem de regência é interrompida pela Mãe Berta, uma velha profundamente rabugenta e vestida de preto, que repugna a humanidade por seu coração corrupto e por toda a desgraça e destruição que proporcionam a terra e a si mesmos. 

A lenda conta, que os Reis se encontravam no escuro de um bosque, na noite mais longa do ano, quando são surpreendidos por uma velha, quase cega e rabugenta xingando e blasfemando contra o homem, cuspindo no chão a cada xingamento e maldição que fazia. Assustados por tamanho ódio, os Reis vão ao encontro da velha. O Rei Carvalho oferece a ela o fogo para iluminar a mais densa escuridão, enquanto o Rei Azevinho, conduzindo os poderes da escuridão mostra o outro lado, a bondade humana e os bons corações que contrastam, limpam e purificam a sujeira deixada por aqueles cujo coração se corrompe com facilidade. Após isso, a noite passou quase toda e o cajado é entregue, quase no momento do nascer do sol. Graças a tudo isso, o Tempo de Escuridão recebe o Fogo presenteado pelo Rei Carvalho, a Escuridão e sua sabedoria dada pelo Rei Azevinho, e as bênçãos da Mãe Berta, que aprendeu a ver e distinguir os corações humanos, prometendo abençoar e presentear aqueles de coração puro (principalmente as crianças) e transformar em carvão aqueles que tiverem seus corações corrompidos (de onde vem a necessidade da crema na crença celta, significando a purificação dos erros pelo fogo). 

A partir dessa lenda, temos outros Deuses e personalidades que também se relacionam com o festival de Yule como o caso do Papai Inverno / Papai Noel, Kriss Kringle, São Nicolau, que representam as graças e bênçãos, principalmente relacionadas ao bom comportamento e/ou bom coração das pessoas.


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