sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dicas para comemorar Samhain Sabbath (in 2011)

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Samhain é tempo de renovação, de reencontro. É a morte que se aproxima e isso não é ruim, pois é o Ciclo que se finda e recomeça. É o movimento de entrar dentro de nós mesmos, avaliarmos aquilo que fizemos de bom e de ruim, mudar o que tem que ser mudado, melhorar o que tem que ser melhorado, manter o que tem que ser mantido. É período de reflexão e paz.

É uma jornada em busca de conhecimento e amor, e esse deve ser o nosso movimento. Descer até dentro de nós mesmos em buscas de respostas, respostas que jazem em nosso mais profundo íntimo, como a parte pura que nos conecta ao Todo.

Não nos deixemos açoitar pela Morte, a convidemos para ir conosco, sem medo, com amizade e sinceridade... Pois é assim que nos prepararemos para o recomeço, para a nova plenitude que se aproximará muito em breve. Nesse movimento, é hora de conscientizar de quem somos, o que fazemos como quem somos e o que temos, como prosperá-lo e mantê-lo. O passado deve ficar no passado, mas jamais deverá ser esquecido, pois é o passado que forma o hoje e é do hoje que moldamos o futuro; devemos dar valor ao que tem de ser valorado e descartar ao que se deve ser descartado.

Também é noite dos mortos, é o momento de celebrarmos a importância e o saudosismo que temos pelos antepassados. Momento de honrá-los com carinho e guiá-los em paz até o Outro Mundo. Para os que se sentirem à vontade, pode-se usar fotografias ou presentes antigos desses antepassados, fazer visitas a seus túmulos ou mesmo ofertar-lhes flores, presentes, comidas ou a luz da chama de uma vela. Mas acima de tudo, é um momento alegre. Não vejamos a morte com a tristeza que nos cabe pela ausência, vejamo-na como a porta sagrada que se abre para a renovação, para com completude e totalidade, para tudo aquilo que excede o físico e material, para o ser verdadeiro.

É momento de festa, é um dia que não tem tempo, é um tempo que não tem dia, são portais que se abrem e véus que atenuam, mas, para além de tudo isso, é um novo ano que se anuncia. Que o entardecer seja irreverente e honrado, para despedir do que já se foi, agradecer pelo que se conquistou. Que a noite seja plena, na companhia dos mortos santos e de todos os Deuses, que nela possamos adentrar em nosso íntimo para alcançar tudo o que deve ser alcançado para além de toda a complexidade da vida, na simplicidade do espírito. Mas que seja o amanhecer verdadeiramente abençoado! Pelo poder da renovação que os raios do Sol possam nos trazer a paz e o anúncio de um ano ainda mais próspero e formidável que o que se passou, saudando em honra a todos os Deuses e seres, e guiando em paz o mortos até sua próxima casa; para que a morte do Deus seja mais do que uma passagem, mas se torne uma verdade, uma continuidade e a renovação plena.


Comemorar esse dia pode ser bem simples ou mais complexo. Você o poderá fazer com uma simples meditação a noite, buscando valorizar e pesar seu passado para planejar seu futuro, agradecendo o que conquistou e correndo atrás daquilo que ainda precisa ser conquistado.

Os antigos costumavam fazer uma grande celebração nesse dia, usando máscaras para que os espíritos se sentissem mais à vontade entre os humanos (a matéria espiritual pode não ter a mesma forma humana e, às vezes, parecer feia e assustadora em nosso mundo), enfeitavam a casa com as cores preto (o mistério, a morte) e laranja (o novo início, o anúncio). A lanterna abóbora enfeitada serve para manter os maus espíritos fora, para guiar a todos em paz para o mundo dos Mortos. Os doces ofertados aos mortos no banquete e compartilhado pelos humanos servem para alegrar a jornada daqueles que partiram dando a eles o gosto da vida, os demais alimentos (como frutas) servem para satisfazer os mortos e dar-lhes forças para continuar a jornada.

Também é um momento próspero para a prática de adivinhações, de conselhos e contações de histórias e lendas. Momento de se meditar e buscar respostas. Em geral, os antigos faziam dessa noite de meditação, festa e vigília, até que o sol nascesse trazendo consigo um novo e próspero ano.

Por isso, fiquem à vontade para montarem suas comemorações, um ato simples pode dizer muito quando feito de coração. Mas deixo aqui minha dica.


Tome um bom banho de ervas ao pôr-do-sol desse dia, eu recomendo muito o Absinto (Artemísia, ou Losna), mas a Alfazema pode cair muito bem para a data também.

Enfeite sua casa, você, sua vida. Alegre-se e faça tudo com muito carinho. Se tiver mais pessoas que gostariam de participar, convide-as, também é momento de confraternização. Em primeiro momento, ponha a mesa de um banquete (lanche) bem adocicado, com um prato extra (que será ofertado aos mortos). A mesa posta, faça uma meditação bem prolongada, se possível sob a luz do luar, ou ao ar livre. Pense profundamente em sua vida, em seu ano, naquilo que pretende mudar, no que quer manter, no que deseja conquista e no que deve se focar e aperfeiçoar. Em seu íntimo, agradeça por tudo o que te foi dado ou conquistado. E junto, pegue consciência de si, de seus defeitos e qualidades, é momento de mudar também a si mesmo. Deixe o passado passar, perdoe o que deve ser perdoado, mas nunca se esqueça do passado ou desvalorize suas ações, ele faz o que somos hoje, mas não viva dele, seja bom ou ruim, ele deve passar.

Feito a meditação, use seu método de adivinhação preferido para saber o que te espera nesse próximo ano (como retirando apenas uma carta dos arcanos maiores do tarot, por exemplo). A grande dica para esse dia é usar uma bacia prateada, preta ou transparente (de preferência que sirva como espelho), cheia de água, colocada sob o Luar e com o coração olhe o espelho da bacia, tente ver na água a mensagem da Lua (isso chama-se “puxar a Lua para baixo).

Enfim, acenda uma vela preta ou branca (se possível de 7 dias, se não pode ser outra), num canto da janela de sua casa, ou do lado oeste de seu quintal, ou algo do tipo em honra aos mortos, para mostrar-lhes o caminho. A princípio, apenas acenda-a.

Acenda dois caldeirões (ou duas velas, uma preta e uma branca) e queime no primeiro tudo aquilo que você quer que vá embora (escrito em um papel, com objetos simbolizando ou apenas em mente), depois queime no segundo tudo o que você quer conquistar nesse próximo ano.


“Eu queimo e extirpo estes aspectos das nossas vidas
Nesta noite de Samhain, sagrada e querida
Que saiam de nós em vitória
E do passado só reste a memória!” (*)[1]


Por fim, sente-se a mesa em silêncio, ainda em meditação, e coma e beba com alegria e paz, mas evite falar, mantenha a concentração e o silêncio. Dê um pedaço de tudo o que você pegar para si para os mortos, deixando um pedaço no prato extra. Após a refeição, coloque o prato de oferenda junto a vela na janela, então abençoe o prato e guie os mortos em paz para o outro mundo:

“Ó fruto que da morte e da vida é sinal,
Fruto que alivia a luta mortal,
A fome dos mortos trate de aliviar,
Até que eles possam, enfim, descansar.
Que cada um fique bem alimentado,
Até que a jornada tenha se completado.” (*)

“Ó chama que queima tão iluminada,
Nesta noite seja um farol a brilhar
Para os mortos, ilumine a estrada
De modo que o caminho eles possam enxergar,
Conduza-os até a Terra do Verão Eterno
E brilhe até que os Deuses Negros os acolham em um abraço fraternos
E que a paz eles tragam a elas com o seu reluzir,
Para que elas possam descansar e dormir!” (*)


Depois desse momento, ponha-se em festa e vigília até o amanhecer, ou vá dormir em paz.

Ao amanhecer do dia primeiro de novembro, saúde o novo ano com muita alegria e ponha-se a viver. Mas não esqueça que as regências de Samhain que se iniciou na noite anterior, diz de um período de paz, reflexão e morte (renovação), por isso esteja e seja alegre, mas com paz e calma.



Paz e Bênçãos!
Feliz Samhain!
Feliz Ano Novo!





[1] Orações retiradas de MORRISON, Dorothy. Samhain. IN A Arte – O Livro das Sombras de uma Bruxa [págs. 193 a 200]. 2ª edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.

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